O terceiro suspeito de participar do atentado que terminou com o vereador Cabo Deyvison (PL) baleado e um assessor dele morto foi preso na manhã desta quarta-feira (17) em Mossoró, na Região Oeste do Rio Grande do Norte.
De acordo com a Polícia Militar, o homem - que não teve o nome divulgado - teria sido o motorista do vUm quarto homem que estava junto com o suspeito também acabou detido, mas a Polícia Militar não explicou se ele tem envolvimento com o crime.
Outros dois homens suspeitos de participação no crime já haviam sido presos em Beberibe, no Ceará, na tarde de terça-feira (16).
O atentado ocorreu na noite de segunda (15) em frente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Mossoró, enquanto o vereador fazia uma transmissão ao vivo.
Cabo Deyvison foi baleado nas pernas e ficou com uma bala alojada. Ele seguia internado com quadro estável nesta quarta. O assessor dele, Alyson Dyego de Oliveira Morais, de 37 anos, foi atingido nas costas e morreu no local. No dia do crime, a polícia encontrou um carro abandonado e um carregador de fuzil.
De acordo com o comandante da Polícia Militar no Rio Grande do Norte, coronel Alarico Azevedo, o terceiro suspeito foi detido no bairro Belo Horizonte, em Mossoró, ao lado de outro homem.
Na noite de terça, a polícia já havia apreendido duas armas - nenhuma delas era o fuzil que a polícia segue em busca - e um colete à prova de balas na região. A casa teria sido indicada pelos dois primeiros suspeitos detidos no Ceará, segundo a polícia.
"Essas armas vão ser averiguadas e periciadas, se foram as armas também utilizadas na ocorrência. Então, nós estamos com quatro indivíduos, quatro pessoas que foram detidas", falou o coronel Alarico Azevedo em entrevista ao Inter 1.
O comandante da PM no RN disse que a Polícia Civil ainda investiga a motivação do crime. Na terça, os delegados que apuram o caso disseram que não descartavam nenhuma possibilidade como linha de investigação.
"Muito recente informar alguma situação dessa que possa levar para um lado ou para o outro de investigação. Até porque é importante preservar isso e que seja definido através da investigação da Polícia Civil", informou o comandante da PM.
Polícia investiga PIX de R$ 10 mil
Segundo o coronel Alarico Azevedo, os suspeitos presos no Ceará tentaram destruir os celulares quando foram detidos, mas uma das telas apresentou um comprovante financeiro de R$ 10 mil. A origem ou destino do dinheiro, no entanto, não foram informados.
"Nos aplicativos de internet e de banco sempre aparecem algumas mensagens. Quando você manda uma compra ou alguma coisa assim, aparece uma notificação. Na hora que eles tentaram danificar, ficou como se tivesse congelado a informação de um PIX", informou o comandante da PM.
O coronel Alarico Azevedo informou que a Polícia Civil investiga a movimentação financeira e o nome do envolvido na transação.
"No momento que foi verificado a tela do celular, tem o valor, que aí eu posso informar, que foi dito R$ 10 mil, mas para quem foi, se foi recebido ou foi enviado, a Polícia Civil já está com esses dados, com esses celulares e irá tomar as providências legais para fazer a a verificação do que se trata, fazer a averiguação dos dados desse celular para elucidar esse crime", disse.
Presos no Ceará
Dois homens, suspeitos de atirar contra o vereador de Mossoró (RN) Cabo Deyvison (PL) e um assessor dele, foram presos na tarde desta terça-feira (16) no município de Beberibe, no Ceará, a cerca de 160 quilômetros do local do crime. Na ação criminosa, o vereador foi atingido por dois tiros; e o assessor que estava com ele morreu.
Os dois suspeitos, identificados como José Antônio da Costa e Vinicius Gabriel da Silva Freitas, estavam trafegando em um táxi, vindos de Mossoró, quando foram abordados por uma equipe da Polícia Militar de Beberibe na CE-040, na altura do distrito de Parajuru.
A abordagem teve apoio de uma equipe do Raio e de um helicóptero das forças de segurança do Ceará. Confira no vídeo:
Os dois suspeitos e o taxista foram conduzidos para a delegacia de Beberibe, mas estavam sendo transferidos para Mossoró - onde ocorrem as investigações do ataque contra o vereador.
O caso
O ataque contra o vereador Cabo Deyvison (PL), de 37 anos, ocorreu por volta das 22h de segunda-feira, enquanto o parlamentar aguardava do lado de fora da UPA de Mossoró, acompanhando uma mulher e uma criança que havia sido mordida por um cachorro.
O vereador estava fazendo uma transmissão ao vivo quando um veículo passou pelo local e os ocupantes atiraram diversas vezes contra o político.
O assessor do vereador, Alyson Dyego de Oliveira Morais, de 37 anos, chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. Cabo Deyvison recebeu os primeiros atendimentos na UPA e foi transferido de ambulância para o Hospital Regional Tarcísio Maia.
Por meio de nota, a Polícia Militar do Rio Grande do Norte informou que, logo após o crime, realizou de imediato contato com a Polícia Militar do Ceará para interceptar o veículo no qual estavam os suspeitos. A instituição informou que, no momento da prisão, eles confessaram a participação direta no ataque. "A PMRN permanece em diligências contínuas em toda a região", disse a corporação.
Em nota divulgada nas redes sociais, a equipe de Cabo Deyvison informou que o estado de saúde do parlamentar é estável. O comunicado também lamentou a morte do assessor. "Neste momento de dor e preocupação, pedimos orações pela recuperação de Cabo Deyvison e pela família da vítima", diz o texto.
Deyvison Thalles Martins do Nascimento, conhecido como 'Cabo Deyvison', foi eleito vereador pela primeira vez em 2024. Ele é policial militar no Ceará desde 2013 e está licenciado para exercer o cargo de vereador na Câmara dos Vereadores de Mossoró.
Investigação
A Polícia Civil aponta que o alvo do ataque era o vereador. Uma das linhas de investigação apura se o crime tem relação com denúncias feitas pelo parlamentar sobre a atuação de facções criminosas na cidade.
Após o crime, o carro suspeito de ser utilizado pelos atiradores foi encontrado abandonado no bairro Alameda dos Cajueiros e será submetido à perícia. No local do ataque, policiais encontraram um carregador de munição calibre 5.56, utilizado em fuzis. A polícia confirmou que armamentos de uso restrito foram empregados na ação.
O delegado Renato Oliveira, responsável pelo caso, classificou o atentado como bárbaro e ressaltou que a ação colocou em risco pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde da UPA. "É uma atitude extremamente violenta e criminosa que precisa de uma resposta", afirmou.
A área da unidade de saúde foi isolada pela Polícia Militar para o trabalho da perícia. Marcas de tiros ficaram na entrada do prédio. A Polícia Civil investiga a autoria e a motivação do ataque.
g1rn